19 outubro 2009

Dia Missionário Mundial

















Estimado P. Ilídio, Sacerdotes e Diáconos de Proença-á-Nova!


Os meus melhores votos de bem estar para todos vós, assim como para o Povo de Deus das comunidades por vós servidas!


A minha viagem de volta á África do Sul correu bem, graças a Deus!


Visitei as comunidades dos Missionários da Consolata em particular o Seminário Maior e, desde segunda-feira passada, estou a substituir um colega ugandês que foi de férias; falta-me encontrar os dois confrades que estão a estudar um a língua Zúlu e o outro a língua Sútho…


Foi com indescritível alegria que revi – nestes poucos dias – algumas pessoas nas comunidades cristãs! Mas uma triste notícia impediu-me de saborear totalmente a alegria do reencontro: faleceu há uma semana o senhor Joaquim Mbatha – um homem originário de Moçambique, já idoso e muito pobre; vinha sempre cumprimentar-me antes de Eucaristia, era de uma delicadeza imensa; nestes três anos que estive com ele dei-lhe algumas das minhas camisas, camisolas e até um casaco; dizia-me ele: “só as uso ao domingo!” E eu perguntei “e porquê só ao domingo”? “Para louvar o Senhor com o melhor que tenho”!


A Igreja celebrou no passado domingo o Dia Mundial Missionário. É uma data que nos recorda a grandeza da vocação á qual toda a Igreja é chamada: Anunciar a Boa Nova do Reino de Deus – Jesus Cristo Salvador – a todas as criaturas!


Para mim, este ano, celebrar esse dia recordou-me a intensa comunhão, a grande generosidade e o imenso carinho que ainda há poucos dias recebi de vós e das comunidades de Proença-a-Nova: o meu Bem Hajam imenso a cada um de vós, irmãos no Sacerdócio e na Vocação, e a todo o povo pela intensidade com que se relacionaram comigo e, através de mim, com as comunidades que os Missionários da Consolata servem neste país da África do Sul. Agradeço-vos com as mesmas palavras que as pessoas daqui usam: “Ningadingwa” – não se cansem (de fazer o bem)! E que as Bênçãos do Senhor sejam sempre abundantes sobre todos vós!


Abraços, fraternos e calorosos, para cada um de vós!


Sempre unido na Oração e no Ideal Missionário.

20 julho 2009

E agora?

E agora?

Estive em Somerset desde o dia 28 de Junho, domingo, até o dia 3 de Julho, sexta-feira: tempo para me inteirar e familiarizar com as tarefas que me esperam durante os meses de Julho e Agosto: pregar Jornadas Missionárias nos Estados Unidos, que aqui são chamadas de Missionary Appeals. É a primeira vez que venho aos EUA para este tipo de serviço missionário.

 

Aqui por estas partes, porém, toda a gente sabe o que isso é e como se faz! Incluindo os que, vindos de outros países – tal como eu – aqui se encontram com essa finalidade: Encontrei um colega que trabalha no Quénia e, nas férias académicas de fim de ano, vem regularmente fazer este serviço de angariação de fundos; encontrei também o "nosso" Simão Pedro, de Moçambique: foi um encontro muito breve porque ele chegou de uma das paróquias e, no dia seguinte, eu parti de Somerset; aliás, a urgência da chegada dele prendia-se com o facto que eu teria que usar o carro que ele estava a usar… O Simão Pedro foi deveras muito amável comigo em todos os aspectos – claro ele já anda nisto há três semanas! No final de Julho ele volta a Portugal e, depois, irá iniciar um período de estudos Bíblicos, mas ele ainda não sabe onde, se em Roma ou noutro lugar… Boa sorte Simão, e que tudo seja para o crescimento e a qualidade do serviço à Missão!

 

A minha primeira Jornada Missionária é no Estado do Michigan, a mais de mil e duzentos quilómetros de Somerset: Telefonei ao pároco da comunidade onde sou destinado no fim-de-semana 4 e 5 de Julho e ele disse-me para chegar lá ao meio-dia de sábado dia 4! Como é que vai ser? Bom, parto para Mount Pleasant MI, na sexta-feira 3 de Julho de 2009, ás sete da manhã, e o resto seja o que Deus quiser!


28 Junho 2009: do irmão para os irmãos

Saímos de Proença de manhã cedo – mas não suficientemente cedo para pararmos e matar o bicho pelo caminho – atrasei-me… Assim, por várias vezes o Domingos teve abrir as guélas do Astra para que eu pudesse chegar ao Aeroporto de Lisboa a tempo de todas as (muitas) exigências do voo para os Estados Unidos da América. Já há bastante tempo que me tinha apercebido das dificuldades a superar para quem, vindo por exemplo de África, entra na Europa. Mas para entrar nos EUA é outro para de calças! Quantos controlos que é preciso passar antes de pôr pé no avião… e não acabou aí. Ao entrar no país, para além de prova de não existência de culpas no cartório e do questionário da praxe, há que ser submetido à fotografia dos dez dedinhos das mãos e dos olhos até que, finalmente, lá vem o papelinho com os carimbo dos noventa dias de permissão para estar no país.


Em Lisboa, porém, antes de último abraço ainda tivemos tempo para um cafezinho no "nosso" bar: nosso porque já é nosso hábito tomar lá o café antes da partida – e o meu irmão adora contar umas histórias aos brasileiros do outro lado do balcão!

 

Foram oito horas e tal de voo até chegar a Newark, o aeroporto situado no Estado de New Jersey. Ao entrar no espaço aéreo americano deparei-me, porém, com as consequências dos ataques terroristas do onze de Setembro: o avião descreve uma curva imensa pelo norte – dado que, depois daquela data, não é permitido passar pelos céus de Nova Iorque.


Após a chegada a Newark um colega veio buscar-me para me levar a Somerset, a casa Provincial dos Missionários da Consolata aqui nos Estados Unidos: pouco mais de meia hora e estava entre irmãos, de novo!

Entre outros encontrei o padre Giuseppe Sesana, italiano, que trabalhou na África do Sul durante longos anos, e o padre Marcos Bagnarol, canadiano, que trabalhou em Portugal nos tempos em que eu lá trabalhava também. Fiquei admiravelmente surpreendido com o modo como o padre Marcos se recorda do português castiço e pelo modo adequadamente expressivo em que ele o usa, parabéns!



10 julho 2009

21-27Junho-2009 - Proença: família e amigos

 

No dia seguinte ao da minha chegada havia festa em Cardigos e Chaveira: O P. Manuel Tavares, missionário da Consolata, celebrava as suas Bodas de Ouro Sacerdotais. Antes mesmo da minha chegada a Portugal já a minha cunhada Idalina me tinha convidado, tendo entregue a respectiva quota de adesão para o almoço (cujo ganho era destinado a financiar um projecto missionário do P. Manuel Tavares na Missão de Likeleva, nos arredores de Maputo, em Moçambique.

 

A Igreja paroquial de Cardigos estava à pinha, tal como o salão de festas da capelania da Chaveira: tudo para dar graças a Deus pelo dom de cinquenta anos de sacerdócio missionário, e apoiar concretamente o trabalho missionário através da partilha dos bens.

 

Na festa do P. Manuel estavam presentes, como não podia deixar de ser, também os outros dois famosos moradores da 'Rua dos Padres': Norberto e Victor! Estavam presentes também os padres António, pároco da Freguesia, e o padre Jorge Amaro, missionário da Consolata, nascido nas encostas da Serra da Estrela, mais propriamente na Loriga.

 

A semana passou muito velozmente: de manhã e á tarde eu passava um período de tempo com a minha Mãe e, entretanto, estava por casa do meu irmão até porque precisava descansar, já que os últimos meses na África do Sul foram demasiado cheios e exigentes, e não sei o que me espera nos dois meses e tal de serviço de pregação missionária nos EUA.

 

No sábado, 27 de Junho, o padre Virgílio – com a sua já habitual amabilidade – deu-me a presidência da Eucaristia vespertina na Casa de Repouso: senti-me muito agradecido por poder guiar na Celebração da santa Missa aquela comunidade de idosos e doentes – autênticos Cristos Viventes – estando entre eles a minha Mãe. Bem hajas, Senhor! Entre outras coisas, voltei a recordar quão importante e significativo se pode tornar o sofrimento desses doentes e idosos quando oferecido, em comunhão com a Paixão de Cristo, pelo bem de toda a Igreja. Pedi-lhes que nas suas Orações continuassem a recordar os missionários e as necessidades da Igreja missionária. E foi assim, na Eucaristia, que me despedi da minha Mãe, uma vez mais. Até Setembro – se Deus quiser!

 

O serviço missionário é assim mesmo, radical e sem condescendências – para com todos os intervenientes: para mim que escolhi aceitar o chamamento missionário, mas também para a minha Mãe, idosa e doente, para o meu irmão e cunhada, e para um sem número de pessoas que se relacionam comigo: são todos intervenientes e estão todos envolvidos na grande aventura – e exigência – que é a Missão de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo!

 

 

20-Junho-2009: Abraços e beijos

Chegados a Proença, deixámos "armas e bagagens" em casa e abalámos directamente para a Casa de Repouso: A Ti Carma da Zoina estaria à espera! Demos a volta aos lugares onde ela costuma estar mas… a Ti Carma não a encontrámos. "Está na Missa" disseram-nos, "deve sair pelas cinco e vinte cinco"; ainda faltava meia hora e, por isso, fomos até à Vila resolver um assunto urgente – o da sede! – e quando voltámos lá estava a Ti Carma já à mesa, pronta para começar a jantar. A minha cunhada Idalina, maravilhoso Anjo da Guarda cheio de carinho e dedicação, andou à procura duma cadeira de rodas para levar a minha Mãe à Missa e, agora, estava a dispor as coisas na mesa para que ela pudesse começar a jantar.

 

Foi um abraço longo-longo e tantos, tantos beijos! Que saudades, meu Deus, que saudades! Bem hajas, Senhor, por me dares esta maravilhosa possibilidade de voltar a estar com a minha Mãe. Que maravilhoso presente o bom Deus me deu neste dia da festa da nossa querida e terna Mãe Consolata! Este dom, estou bem certo disso, é também a resposta às Orações dos cristãos das comunidades de Osizweni, que continuamente me perguntavam pela "Gogo" (Avó) e prometiam continuar a rezar por ela.

 

Encontrei a minha Mãe muito melhor do que da última vez que a vi, em Março deste ano. Nessa ocasião estive dez dias com ela mas, quando no final regressei à África do Sul, ela nem se apercebeu que me fui embora; depois a sua saúde complicou-se ainda mais; no final de Março e durante o mês de Abril o meu irmão e a minha cunhada telefonava-me diariamente – às vezes mais do que uma vez – e informavam-me do seu péssimo estado de saúde; durante esse tempo eles iam ao hospital de Castelo Branco uma e duas vezes por dia, e o que viam não foi animador durante muito tempo; o seu estado de (não)saúde era de tal modo que chegaram a esperar o pior, assim me diziam… mas a bondade de Deus é ilimitada e maravilhosa! No final de Abril a minha Mãe começou a melhorar e voltou para a Casa de Repouso, em Proença. Tinha recuperado a capacidade de falar, com sentido, conteúdo e memória e – após algumas semanas – já conseguia alimentar-se pela sua própria mão: Bendito seja o Bom Deus!

20-Junho-2009: Lisboa - Proença-à-Nova

Hoje é a festa litúrgica de Nossa Senhora da Consolata! No meu deambular para-gastar-tempo pelo terminal aéreo de Frankfurt quantas vezes a minha mente e o meu coração se deixaram transportar em oração e reflexão, considerando este dia da nossa Padroeira e o que Ela significa para os filhos e filhas do Allamano, assim como as comunidades cristãs por eles fundadas e assistidas nos quatro cantos do mundo. E eu ía-Lhe dizendo: "bem hajas, querida Mãe Consolata, por tantas e tantas graças que nos obténs; bem hajas pela bondade dos teus filhos e filhas, pelo carinho e bondade de quantos te invocam com o doce e terno nome de Consolata, bem hajas Mãe querida por todas as obras de bem-fazer originadas pelo teu carinho e amor para com os pobres e para quantos são tocados, em suas vidas, pela verdadeira Consolação, Jesus Cristo – o único nome no qual podemos ser salvos"!

 

Era quase meio-dia quando o avião da Lufthansa tocou solo português em Lisboa. Sair do avião, documentos, bagagem e… Generoso, fiel e dedicado como sempre, lá estava o Domingos à minha espera – acompanhado pelo Pedro e a Ana: que linda surpresa! Foi o tempo das boas vindas e dos abraços – desta vez não havia tristeza nem ansiedade nos nossos olhares, apenas alegria e gratidão pelo reencontro entre irmãos que se amam, se apreciam e se estimam como só os irmãos sabem fazer.

O Pedro e a Ana ficariam por Lisboa mas, antes de nos separarmos, houve tempo para um saboroso almoço no "vasquito" como disse o Pedro – o centro comercial Vasco da Gama!

 

Abraços de despedida ao Pedro e Ana, e aí vamos nós dois manos a caminho de Proença, parando nalguns sítios pois o calor apertava e havia que… "dar de beber à sede"; até porque, eu que vinha do Inverno sul-africano, sentia ainda mais a "sequidão" do Verão português antecipado.

 

 

19-Junho-2009: Pretoria - Lisboa

Ao princípio da tarde o padre Jesús Ossa leva-me ao aeroporto de Joanesburgo, agora baptizado de OR Tambo Airport. Devido ás muitas tarefas da última hora – melhor dito das últimas semanas! – atrasei-me na saída de casa em relação à hora combinada com o padre Jesús; não obstante isso conseguimos chegar ao aeroporto a tempo de fazer o check-in dentro do tempo previsto; devido ao número elevado de voos que se realizam ao fim do dia, e era uma sexta-feira, aconteceu uma grande demora na passagem da segurança e no controlo de documentos pelo que, depois disso, foi um corre-corre até embarcar no avião (acho que deveria dizer-se "enviãoar" pois aquilo não é um barco mas sim um avião!)

 

As longas viagens de avião têm a enorme vantagem de constituir uma oportunidade única para ocupações tais como: reflexão, meditação, revisão, planeamento… E tinha tantas coisas a transbordar da chávena da minha vida nos últimos meses, semanas e dias…

Por outro lado, com o preço a que estão os bilhetes de avião, há que usar bem o tempo de voo!

A viagem correu bem até porque, devido ao cheio que o avião estava, nem havia espaço para mexer os braços, se bem que as onze horas até Frankfurt, Alemanha, demoraram a passar. Tive que passear pelo terminal aéreo de Frankfurt mais de cinco horas mas, esse 'passeio' levou a que o bilhete custasse uns seiscentos 'europeus' a menos do que indo directo para Lisboa!